BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, MOOCA, Mulher
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Não sei muito bem, mas quando as coisas estão estranhas eu começo a dar uma surtada e fico procurando coisas pela net.
Eu preciso muito de paixões. Já falei disso por aqui antes, mas vou reforçar.
Preciso me apaixonar por um filme
ou por um livro
ou por uma música
ou por uma pessoa
ou por um trabalho
ou por um curso
ou por qualquer coisa que me faça estar constantemente em primeiridade (ref. ver google Peirce).
aí, quando as paixões esfriam, lá vou eu procurar bandas novas, livros novos, pessoas novas, e etc.
O problema é que é realmente um garimpo difícil.
Gasta-se horas e links pra encontrar algo meio decente.
Desta vez eu encontrei uma coisa. Beeem interessante. Sei lá, pode ser que não vingue nada, mas pelo menos eu gostei do que (não, não, vi não) senti.
Primeiridade
Algumas coisas acontecem comigo diariamente, tais como fumar um cigarro, tomar banho, escovar os dentes, beber água, tomar café etc (não, dormir e comer não são hábitos meus diários).
Isso é normal.
Mas tem uma coisa que me acontece diariamente e que consegue abalar meus dias (no bom sentido).
É pensar sobre como algumas coisas podem ser tão fudidas para mim. Isso acontece mais comumente com música.
Eu ouço música todo dia. É impossível para mim passar um único dia sem ouvir música. E eu ouço música o tempo todo.
Se não fosse o rádio no carro, a coisa mais cara nele junto com o som todo - e a única que fiz questão - eu morreria nesse trânsito absurdo de São Paulo, ou então já teria agido há tempos como o Michael Douglas em um dia de fúria.
E o que me abala é pensar em como eu consigo abstrair toda e qualquer coisa quando ouço uma música boa. Que eu goste. Como eu me sinto, como eu sinto a música, como ela consegue ser um soco literal na boca do meu estômago. Como eu tenho vontade de sair gritando a música, ou de virar pro cara do carro do lado e perguntar: "meu, você não ouviu isso? você não sentiu isso? CARA COMO VC CONSEGUE FICAR IMPASSÍVEL OUVINDO ISSO????"
Dá vontade de me jogar no chão, de jogar o carro em cima do cara do lado, de acelerar e ir empurrando todo mundo. De soltar o volante e pisar tudo no pedal e ver pra onde o carro vira. Só sentindo aquela vibração da música.
Ultimamente, o mais específico é a voz. Cara, acho que é por causa dessa banda específica, mas essa voz me causa tudo isso de uma vez e muito mais. Tudo é fantástico, mas vou deixar um pedacinho pra vocês ouvirem que eu posso ouvir mil vezes no mesmo dia e sinto a mesma coisa.
Neste caso eu fico pensando, ainda, como o cara consegue cantar desse jeito. Como pode ele ter essa voz e, ainda por cima, saber usá-la. E cantar com essa coisa de estar sentindo mesmo aquilo.
Prestem atenção dos 2'30" aos 3'30"
PS: eu preciso para de ouvir músicas assim dirigindo, especialmente no último volume, ou um dia eu vou bater mesmo o carro. Sem querer.
A primeira vez que eu me lembro de ter realmente me apaixonada por uma banda foi aos treze anos. Antes disso eu ouvia coisas, bandas, músicas, cantores, mas por ouvir.
Lembro-me muito bem, alguns anos antes disso, de quando ouvi o black álbum (eu nunca soube se esse é o nome e deve vir com maiúsculas, ou se o povo que chama assim pra diferenciar e é com minúsculas) do Metallica, por causa do meu primo vidrado em rock desde a infância.
E também dele empolgadíssimo com Slayer, me mostrando tudo, na época em que eu passava as férias na casa da minha tia.
Ou quando, por influências externas, eu comprei o Fear of the Dark, do Iron, conhecendo tão somente a música homônima.
Mas aí, um dia, em casa, vendo MTV, começou a passar um acústico. Já estava no meio. Naquela idade e taus, quando vi o cenário, quando ouvi a voz, e vi aqueles cabelinhos loiros, compridos, ensebados e cobrindo o rosto, me apaixonei perdidamente. A banda era Nirvana e o ano era 97.
Poxa, eu nunca tinha visto, ouvido ou ouvido falar daquilo, e andava com uma galera rocker. Esperei até o fim do show pra pegar o nome da banda, e era Nirvana.
Imediatamente eu comecei a vasculhar (amigos, bancas de jornal, lojas de cds. Seria tão mais fácil se já exixtisse youtube e torrent nessa época...) e não encontrei nada.
Vocês não imaginam minha frustração.
Meu primo até conhecia, mas nem era algo que ele gostasse muito.
Fui até a discoteca do CCSP e lá pude ouvir o Nevermind em LP!
Achei o Unplugged pra comprar em uma loja e ouvia dia e noite.
Meu tio, bem mais velho, conhecia a banda, mas assim, de ouvir falar. Chegou até a comentar que o vocalista havia morrido e tinha sido substituído!
Ou seja: informação zero!
Nesse mesmo ano meu primo foi pros EUA e trouxe pra mim o Bleach.
O Nevermind eu peguei emprestado com o irmão mais velho de uma amiga que vivia pra cima e pra baixo ouvindo a trilha sonora de Pulp Fiction no disc man. (cara, como eu sou velha!) Acho que ele achava legal impressionar as amigas mais novas da irmã.
Eu vivia em bancas de jornal, livrarias, lojas de discos procurando coisas sobre o Nirvana. As letras das músicas não vinham no encarte e quem disse que existia vaga-lume?
Só quando comprei o In Utero que esse sim, veio com as letras.
Aprendi inglês traduzindo Nirvana!
Nessa mesma viagem meu primo trouxe o Antichrist Superstar, do Marilyn Manson, que havia acabado de ser lançado. Outra banda que na época aqui no Brasil a gente não tinha nenhuma informação sobre.
As histórias eram que o cara tinha pacto com o demônio e quem ouvisse o CD dele morreria, ficaria possuído e etc. Ouvíamos o CD morrendo de medo, trancávamos na gaveta e íamos dormir com medo!
Tudo isso pra dizer que eu não entendo essa galera que acha ruim quando uma banda é conhecida, ou cai no gosto popular.
Não sei se é por causa dessa dificuldade que havia antigamente, mas eu adoro quando muitas pessoas conhecem algo de que eu realmente gosto!
Sempre quero que as bandas caiam no gosto popular logo, pra ter mais chance de virem pro Brasil, pra ter mais pessoas pra compartilhar, ouvir junto, falar sobre.
Faço questão de mostrar pra todo mundo que conheço e que não conheço.
E acho pior ainda quando, quando a banda cai no gosto popular, aquele fã ardoroso da banda lado C pára de ouvir e de gostar.
Acho que a pessoa não gosta da banda. Gosta de gostar de algo que ninguém gosta.
Depois de um bom tempo de insanidade total, de tudo fora de lugar, de um absurdo e gigantesco caos, as coisas voltam a entrar nos eixos.
Antigamente eu escrevia aqui quando as coisas estavam mal, andavam ruins.
Desta vez a coisa que eu menos quis durante todo esse tempo foi postar aqui.
Agora, porém, que tudo está se encaixando, melhorando, tenho pensado muito em escrever.
Quando alguma coisa me passa pela cabeça, logo penso em escrever um texto para postar.
Pensei em fazer um blog novo, sei lá, no blogspot ou algo assim, mas achei melhor manter esse mesmo, que as pessoas já conhecem.
Pensei também em reativar o fotolog e postar os textos lá junto com as fotos.
O problema é que eu não tiro fotos!
Nunca tenho fotos atuais, portanto seria um tiro n´água, as fotos seriam velhas ou eu não postaria pela falta delas.
Além disso, quem quer LER o que eu escrevo entra aqui. Lá o povo só quer VER mesmo.
Por isso, estou voltando.
Espero que permanentemente.
Se não, também, será só mais uma fase de sumiço.
Porque nesses dias, de internet, a gente sempre volta.
"A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50 anos, sem querer dar um tiro na própria cabeça."
David Foster Wallace
na Piauí de outubro.
mês que vem, quando for disponibilizado na íntegra no site o texto, eu posto aqui.